Com mandato cassado em dezembro passado por ter faltado a um terço das sessões deliberativas da Câmara após fugir para os EUA, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi recebido como “deputado”, membro do “Congresso Nacional Brasileiro”, na Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo realizado no Knesset, o parlamento israelense, nesta segunda-feira (26).
Em curto vídeo divulgado nas redes sociais pelo irmão, Carlos Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo aparece discursando, com a voz rouca. Na frente, uma placa o identifica como “congressman, Brazilian National Congress”.
No entanto, Eduardo teve o mandato cassado no dia 14 de dezembro por decisão da mesa diretora da Câmara. Quatro dias depois, ele foi às redes e confirmou a decisão, assinada pelo presidente da casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Acabaram de cassar o meu mandato”, disse o filho “03” de Jair Bolsonaro (PL) ao ser comunicado sobre a decisão.
Em seu discurso no Knesset, Eduardo Bolsonaro atacou organizações não governamentais e universidades que, segundo ele, substituíram a “suástica” no que considera “antissemitismo” – um conceito apropriado pelos sionistas para associar a perseguição aos judeus após a II Guerra Mundial.
“Porque o antissemitismo hoje nem sempre usa uma suástica”, disse, referindo-se ao símbolo nazista que nos dias atuais são usados por grupos de ultradireita que no Brasil apoiam clã Bolsonaro.
“Ele [o antissemitismo] se esconde atrás da linguagem humanitária das ONGs e do jargão acadêmico como a palavra antissionista”, emendou, focando o termo que classifica os movimentos que denunciam a arquitetura sionista, propagada por organizações sociais patrocinadas pelo governo de Israel.
O discurso foi propagado nas redes e na mídia bolsonarista por Paulo Figueiredo que diz que Eduardo criticou a decisão do presidente Lula de retirar o país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
Dinheiro público
Eduardo viajou para Israel juntamente com o irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que vai discursar no evento nesta terça-feira (27).
Para participar da conferência, que reúne parlamentares da ultradireita associada ao sionismo de todo o mundo, Flávio solicitou recursos públicos, pagos pelo Senado, alegando que se trata de uma missão oficial.
No entanto, em seu discurso, Flávio vai apresentar “diretrizes que adotaria em um eventual futuro governo” e, em troca de apoio do governo sionista, prometer a reaproximação de Israel caso seja eleito.
Além de Israel, a agenda internacional de Flávio Bolsonaro inclui passagens pelo Bahrein (entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro) e pelos Emirados Árabes Unidos (de 3 a 6 de fevereiro).
Ao todo, o senador fará um giro de cerca de 20 dias fora do país, com cronograma organizado pelo irmão Eduardo Bolsonaro, apontado como principal articulador do bolsonarismo junto à direita internacional.
O giro internacional foi autorizado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em despacho assinado em 22 de dezembro. O documento determina que passagens aéreas, diárias, seguro-viagem, hospedagem, alimentação e deslocamentos de Flávio Bolsonaro sejam custeados pela Casa.
As regras internas permitem o pagamento de viagens ao exterior quando classificadas como missão oficial. No início de 2026, o Senado atualizou o valor das diárias internacionais, fixadas em US$ 656,46 por dia. Alcolumbre autorizou 12 dias de missão oficial, período em que Flávio terá direito a receber cerca de US$ 7,9 mil — mais de R$ 42 mil apenas em diárias.
A movimentação ocorre em um momento em que o bolsonarismo tenta se reposicionar no cenário internacional, após uma série de reveses políticos ao articular sanções dos EUA ao próprio país. No fim do último ano, o governo Donald Trump se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reduziu sanções comerciais e retirou o ministro Alexandre de Moraes da lista de sancionados pela Lei Magnitsky — um golpe simbólico para o campo bolsonarista.
Nas redes, Eduardo e Flávio Bolsonaro tem divulgado fotos com líderes de partidos da ultradireita como o Chega, de Portugal, e o Vox, da Espanha.
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História de Plinio Teodoro – Divulgação: scctv.net.br/Rádio Giramundoweb/@Giramundoweb/@SCCTV3/(10) Pinterest5





