Pecuaristas gaúchos estão adiantando a entrega de animais ao mesmo tempo que que os frigoríficos têm comprado mais carne de outros estados. Foto : Wenderson Araujo / Trilux / Divulgação
Houve um aumento da entrada de carnes de outros estados, carcaças para a indústria frigorífica gaúcha processar
O mercado do gado gordo no Rio Grande do Sul registrou na semana queda no preço do boi a peso vivo de 1,3%, enquanto o preço da vaca se manteve estável. Foi o que apurou o Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em sua Análise Semanal de Preços do Gado Gordo e de Reposição.
A maior oferta de carne aos frigoríficos causada pela comercialização antecipada de animais por parte dos pecuaristas gaúchos que observam a diminuição do volume de pastagens e a entrada mais volumosa do produto de outros estados justificam a menor remuneração, explica o professor Júlio Barcellos, coordenador do NESPro.
Segundo ele, normalmente ao final de janeiro e início de fevereiro ocorre uma redução no preço pago ao pecuarista gaúcho.
“Por que isto ocorre? Neste momento nós temos dois eventos importantes. O primeiro é que se aproxima do final de verão, daquela abundância de pasto, pois já tem uma certa perspectiva de diminuição da intensidade de chuvas, e o pecuarista que produz o boi para vender ao abate começa a encontrar algumas dificuldades de manter estes animais ganhando peso nas suas propriedades. “Então, ele tem tenta antecipar os abates aumentando a oferta”, explica Barcellos.
Além disso, o preço mais alto do milho compromete a retenção de animais por mais tempo no confinamento. Desta forma, houve aumento de oferta de animais nas últimas duas semanas, situação percebida nos frigoríficos.
E a outra variável é a oferta de fora do Estado, visto que os preços no Brasil Central não reagiram como foram os aumentos no Rio Grande do Sul, que, por exemplo, na primeira semana do ano teve incremento de 3,1% para boi gordo a peso vivo e 4,8% para boi gordo a rendimento de carcaça.
“Algumas indústrias de abate do Estado têm um bom sistema de compra de carcaças de outros estados, para não deixarem ociosas suas plantas frigoríficas, por um preço mais competitivo do que ir ao mercado do Rio Grande do Sul e comprar boi aqui”, esclarece.
“Houve um aumento da entrada de carnes, carcaças para a indústria frigorífica gaúcha processar, ou seja, de cortes de carnes que a compra de outros estados não se dá por meio de um frigorífico, mas sim por meio do próprio varejo, que trazem alguns cortes que são mais econômicos em outros estados.”
Efeito China
Barcellos ainda minimiza os efeitos indiretos que as cotas da China sobre suas compras do Brasil (de 55% a partir do volume de 1,1 milhão de toneladas) possam causar à pecuária do Rio Grande do Sul a partir do segundo semestre, visto que no período um volume ainda maior de carne do Brasil Central poderia ser direcionado ao mercado gaúcho, pela dificuldade em ser enviada ao país asiático.
“Realmente existe essa possibilidade, mas as projeções de aumento da arroba do boi no Brasil Central apontam para preços que vão superar, inclusive, o preço do boi no Estado, o que tira um pouco a competitividade dessas carnes para entrarem no Rio Grande do Sul”, tranquiliza.
De acordo com ele, portanto, não se pode afirmar que vá ocorrer uma “avalanche” de carne no mercado gaúcho. “Até porque existe tempo suficiente para o Brasil encontrar outros mercados, principalmente México e Estados Unidos, e com esses novos mercados absorver essa carne que seria dirigida a China, superando a cota”, justifica. “Além disso, também há a possibilidade de uma triangulação do Brasil exportar para a Argentina e para o Uruguai e esses países dirigirem sua carne para a China. Então, essa extra-cota deverá ser equacionada”, complementa.
“O Rio Grande do Sul tem pouca representatividade na exportação para a China, então não deverá causar maiores efeitos”, também menciona. “Por outro lado, quando olhamos para os aspectos globais, há uma deficiência muito grande de carne no mundo, principalmente carne bovina, com perspectivas de aumento. Então, dificilmente a China vai conseguir cumprir toda essa questão da fixação a partir de agosto ou setembro.”
Cotações na semana
Boi gordo a peso vivo: −1,3%
Terneiro: +8,3%
Terneira: −2,8%
Novilha (13–24 meses): −1,9%
Novilho (13–24 meses): −1,2%
Fonte: NESPro
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História de Leandro Mariani Mittmann – Divulgação: scctv.net.br/Rádio Giramundoweb/@Giramundoweb/@SCCTV3/(10) Pinterest





