Embora o real não tenha liderado os ganhos de divisas emergentes em relação ao dólar, fatores domésticos podem ter contribuído para o recuo da taxa de câmbio. Foto : Marcos Santos/USP Imagens/SCC TV
Queda da moeda americana é impulsionada por movimento global e fatores domésticos, como o Ibovespa em alta e perspectiva da Selic
O dólar abriu a semana em queda no mercado doméstico e fechou abaixo da linha de R$ 5,20, acompanhando a onda de desvalorização da moeda americana no exterior. Operadores afirmam que o movimento de diversificação global de portfólios, com diminuição do apetite por ativos denominados em dólar, ganhou impulso extra nesta segunda-feira, 9, com a informação de que a China teria recomendado a bancos do país que reduzam sua exposição aos títulos do tesouro americano.
Embora o real não tenha liderado os ganhos de divisas emergentes em relação ao dólar, fatores domésticos podem ter contribuído para o recuo da taxa de câmbio. Operadores citam a provável entrada de fluxo estrangeiro para a bolsa doméstica, com novo recorde de fechamento do Ibovespa, e a perspectiva de um processo conservador de redução da taxa Selic, na esteira de tom cauteloso do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento pela manhã.
Com mínima a R$ 5,1752, no início da tarde, em sintonia com o ambiente externo, o dólar à vista encerrou o pregão em baixa de 0,62%, R$ 5,1882 – o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024 (R$ 5,1540). A moeda recua 1,13% em fevereiro, após perdas de 4,40% em janeiro – a maior desvalorização mensal desde junho de 2023, quando caiu 4,99%. No ano, o dólar cede 5,48% em relação ao real.
O economista-chefe da corretora Monte Bravo, Luciano Costa, afirma que o comportamento da taxa de câmbio foi, mais uma vez, ditado pela dinâmica global do mercado de moedas. O real e as demais divisas emergentes são beneficiadas pelo movimento de diversificação de carteiras, com redução das posições em ativos americanos, observa.
“O gatilho para o movimento de queda global do dólar veio da China, com a notícia de recomendação para os bancos diminuírem exposição às Treasuries. O yuan se valorizou e o ouro voltou a subir”, afirma Costa, ressaltando que a perspectiva de valorização do iene, com a vitória do partido da primeira-ministra Sanae Takaichi nas eleições legislativas, não se confirmou.
O índice DXY – que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de seis moedas fortes, em especial o euro e o iene – apresentou queda firme e recuava cerca de 0,80% no fim da tarde, ao redor dos 96,800 pontos, após mínima aos 96,793 pontos. Franco suíço e coroa sueca subiram mais de 1%. Os preços do petróleo avançaram mais de 1%. No ano, o índice DXY cai cerca de 1,49%.
Na semana passada, o Dollar Index subiu ao redor de 0,50% na esteira da diminuição dos temores de perda de independência do Federal Reserve, com a indicação por Donald Trump do ex-diretor Kevin Warsh, de histórico conservador, para a presidência do banco central americano. Investidores aguardam o payroll de janeiro, que sai nesta quarta-feira, 11, para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Fed, em meio a perspectiva crescente de corte de 25 pontos-base nos juros em março.
Costa, da Monte Bravo, ressalta que o real mostra uma valorização acima do que a queda do Dollar Index sugeria, provavelmente refletindo uma correção após o repique do câmbio em dezembro e a entrada de recursos para ativos domésticos, em especial a bolsa. Ele pondera que parte dos ingressos de estrangeiros na B3 em janeiro pode ser fruto da migração de dinheiro que os investidores não residentes teriam “estacionado” no fim de 2023 na renda fixa brasileira, que recebeu aporte líquido de mais de US$ 5 bilhões em dezembro.
“Eu já achava R$ 5,20 um nível baixo para o dólar e é difícil pensar em uma valorização muito mais forte do real daqui para a frente, porque acredito que o movimento mais forte de fluxo já ficou para trás. O Ibovespa já não está barato em termos de múltiplos”, afirma o economista.
Do lado do fluxo, mas sem impacto direto na formação da taxa de câmbio no curto prazo, o Tesouro Nacional confirmou nova captação externa com o lançamento de bonds de 10 anos, com vencimento em 2036, e a reabertura do papel para 2056. A operação tende a balizar as captações do setor privado no mercado internacional. Em novembro, o Tesouro captou US$ 2,25 bilhões em títulos sustentáveis, com demanda de cerca de US$ 6,7 bilhões.
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História de Estadão Conteúdo – Divulgação: scctv.net.br/Rádio Giramundoweb/@Giramundoweb/@SCCTV3/(10) Pinterest5





