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Leo (Clara Moneke), mocinha sem uma jornada bem definida - TV Globo

Mocinha péssima, atrizes brilhantes: O que deu certo e errado em Dona de Mim

Geral

Dona de Mim chega ao fim nesta sexta-feira (9) depois de dez meses na programação diária da Globo.

A novela das sete conseguiu gerar muita repercussão nas redes sociais com interpretações memoráveis e cenas muito difíceis, mas também foi alvo de reclamações do público, principalmente em relação à sua personagem principal.

Foi complicado para os telespectadores aguentarem durante tanto tempo a história de Leo (Clara Moneke), mocinha sem uma jornada bem definida. Ela muitas vezes pareceu chata, perdida, obsessiva, se achando mãe de Sofia (Elis Cabral). Apesar de ter boas intenções, ela desagradou a muita gente e não empolgou muito com seus pares românticos.

Dona de Mim também ficou marcada por ser uma novela das sete um tanto pesada, com muitas cenas de violência e dramas intensos. Algumas destas tramas funcionaram, outras ficaram um tanto maçantes.

Relembre aspectos que funcionaram muito bem e outros que não deram tão certo ao longo de Dona de Mim:

Atuações brilhantes

Ainda que a trama não tenha ajudado muito, Dona de Mim contou com performances incríveis de seus atores. Destacam-se Suely Franco e Cláudia Abreu, que encantaram e emocionaram o público respectivamente nos papéis de Rosa e Filipa, ao lidarem com seus dramas de família e com suas questões de saúde –Rosa com Alzheimer e Filipa com bipolaridade. Cenas das atrizes, como os surtos de Filipa nas crises e Rosa enterrando o filho, ficarão marcadas para sempre na história da teledramaturgia.

Clara Moneke pode até não ter ganhado uma mocinha tão boa assim, mas mandou muito bem no papel de Leo. Sua interpretação foi forte, precisa e cuidadosa, e sua química com Elis Cabral era notável desde o início.

Elis, aliás, é a grande revelação da novela. A menina de apenas sete anos demonstrou ser extremamente talentosa, carismática, uma atriz nata. Além dela, a novela teve outra revelação: L7nnon. Este, sim, ganhou uma história muito boa com o personagem Ryan e virou o coadjuvante favorito do público.

Saúde mental

Questões de saúde mental importantíssimas foram retratadas com muito cuidado e carinho na novela. Filipa, por exemplo, tinha sintomas de bipolaridade desde o início, mas só recebeu um diagnóstico por volta do capítulo 70. O caso dela foi muito bem trabalhado, mostrando a realidade de quem passa por esta condição e provocando empatia em quem assistiu.

O mesmo ocorreu com outros três personagens: Rosa, que desenvolveu um quadro de Alzheimer; Stephany (Nikolly Fernandes), diagnosticada com burnout; e Marlon (Humberto Morais), que teve ansiedade e estresse pós-traumático. Leo também abordou a saúde mental por cima, ao comentar que sua situação após perder a filha foi de depressão, ainda que não tenha tido um diagnóstico na época.

A novela tratou tudo de maneira muito responsável, deu informações corretas e educou o público sobre como lidar com questões como estas, deixando claro que não se tratam de “frescura” ou “doença de rico”. Golaços da novela!

Dramas que funcionaram

Dona de Mim recebeu algumas críticas por ter pesado a mão na violência, em cenas e reviravoltas consideradas muito intensas para a faixa das sete. De fato, houve dramas bem fortes. No entanto, olhando para a novela como um todo, alguns dramas foram os pontos que mais funcionaram, tiveram maior cuidado e mais geraram interesse, atenção e repercussão no público.

É o caso da morte de Abel (Tony Ramos), por exemplo. Um dos principais personagens da novela morrer antes mesmo da metade da história foi algo muito chocante. As cenas da morte e do funeral, no entanto, ficaram excelentes. Além disso, o destino trágico do patriarca ajudou a movimentar bastante a trama, criando diversos novos caminhos.

O estupro sofrido por Kami (Giovanna Lancellotti) também levou a história a outro patamar. As cenas foram impactantes, mas muito bem bem feitas, com Giovanna Lancellotti numa performance de apertar o coração. Ainda que muito duro e triste, o drama da personagem elevou a qualidade da novela.

Mocinha perdida, chata e obsessiva

Leo desde o início tinha um grande problema em Dona de Mim, do ponto de vista da construção de uma narrativa de melodrama: a mocinha não tinha nenhum antagonista diretamente contra ela. Leo lutava para ficar com Sofia (Elis Cabral) e para assegurar o bem-estar da menina.

Mas, a princípio, os personagens vilões da trama não estavam diretamente contra ela: Vanderson (Armando Babaioff) queria dinheiro, Jaques (Marcello Novaes) queria tomar a Boaz. A mocinha foi criticada por não ter uma história bem delimitada para si e só ficar correndo atrás de Sofia o tempo todo.

Ao longo da trama, isso até ficou mais intenso com a questão da guarda da menina –quando Leo passou a agir como se fosse mãe de Sofia. É claro que ela só queria o bem da menina, mas não se pode negar que foi irritante.

Nem os pares românticos dela fizeram sucesso, pois todos os relacionamentos em algum momento se tornaram chatos, com brigas em que todos estavam errados. Agora, no final, ela conseguirá ficar com Samuel (Juan Paiva) e com Sofia, mas neste ponto da trama já não havia mais tanta dúvida em relação a isso. Clara Moneke merecia uma protagonista melhor.

Excesso de tramas jurídicas e corporativas

Dona de Mim passou muito tempo exibindo audiências judiciais, tramoias e brigas relacionadas à gestão da Boaz. Ainda que tais cenas fossem importantes para a história, de maneira geral a insistência em tramas como estas se tornou um tanto cansativa, repetitiva, pouco interessante. Foram tantas audiências relacionadas à disputa da guarda de Sofia que, nas últimas semanas, ninguém aguentava mais.

Repetições

Rosane Svartman já criou sua marca registrada nas novelas da sete da Globo e se firmou como uma autora de sucesso, com ótimos trabalhos. Por outro lado, em Dona de Mim ela repetiu alguns padrões já observados em outras novelas, de maneira que ficou um pouco na cara demais.

Por exemplo, Jaques é um tipo muito semelhante a Theo (Emilio Dantas), o vilão de Vai na Fé (2023). Ambos tiveram atitudes terríveis, grotescas, totalmente condenáveis. Ainda assim, não eram 100% ruins (eram cerca de 98%). Jaques tinha um afeto genuíno por Filipa e até a salvou e a ajudou de fato em algumas situações, assim como Theo também foi um bom amigo para Lumiar (Carolina Dieckmmann).

As cenas em que Jaques demonstrou carinho pela mãe e lembrou as dores que sofreu por conta do domínio dos pais na infância e na adolescência também pareceram legítimas, ainda que não apagassem tudo o que ele fez de ruim. Foi um personagem do mal, mas com nuances.

O mesmo pode ser dito de Vanderson, interpretado por Armando Babaioff. O ator já havia feito um vilão canalha em outra trama de Rosane Svartman: o Diogo de Bom Sucesso (2019). Os dois tinham histórias de vida diferentes, mas ambos eram canalhas e com caracterizações um pouco parecidas.

Outra marca conhecida de novelas da autora é a “ressurreição” de personagens mortos. Aconteceu com Sofia (Priscila Szteijnman) em Totalmente Demais (2015) e com Ellen (Camila Pitanga) em Dona de Mim. Sofia, aliás, é um tipo de personagem jovem rebelde bem parecido com Nina (Flora Camolese). Para a sorte de Filipa, sua filha se regenerou.

Repetir alguns padrões não é de todo ruim, principalmente quando funcionam –funcionou com Jaques, no caso de Dona de Mim. Ainda assim, no final, fica a sensação de novela repetida, de mais do mesmo. Valeu a pena ver de novo?

Dona de Mim é ambientada em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. O folhetim conta com direção artística de Allan Fiterman. No elenco,  estão Clara Moneke, Tony Ramos, Juan Paiva, Rafael Vitti e Cláudia Abreu, entre outros nomes. 

História de FERNANDA LOPES –  –  Divulgação: scctv.net.br/Rádio Giramundoweb/@Giramundoweb/@SCCTV3/(10) Pinterest

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