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Enner Valencia está indo para o Pachuca, do México

Valencia deixa o Inter sem corresponder à expectativa de ídolo; veja os motivos

Esportes

Atacante equatoriano rescindiu contrato após dois anos, rumo ao Pachuca, deixando lições sobre desempenho, pressão e frustração no Beira-Rio. Valencia já foi apresentado pelo Pachuca, do México | Foto: RICARDO DUARTE / INTER

Exatos 794 dias depois, chega ao fim a passagem de Enner Valencia pelo Inter

Valencia chegou ao Inter com a expectativa de se tornar um ídolo. Porém, não conseguiu corresponder e, antes do fim do contrato, deixou o clube. Os motivos para isso são controversos, variando desde o mau aproveitamento de suas características pelos treinadores até a falta de envolvimento do próprio jogador, que já foi apresentado pelo Pachuca do México.

“São muitos fatores. O Valencia tem uma carreira longa e vitoriosa, mas, na maioria das vezes, foi um coadjuvante nos clubes por onde passou. Teve bons números no Fenerbahçe, mas a trajetória como um todo não indicava que ele pudesse se tornar um grande ídolo no Inter”, afirmou o comentarista da Rádio Guaíba, Gutiéri Sanchez.

Essa também é a avaliação do jornalista Cristiano Silva, da mesma emissora. Citando matéria públicada no início do mês no Correio do Povo, que apresenta os números do centroavante ao longo de sua carreira, ele diz que Valencia foi superestimado. “Na verdade, o Valencia manteve no Inter a média de gols que apresentava em outros clubes. Ele não correspondeu à expectativa exagerada criada pelo clube e pela torcida”.

Há ainda um contexto que não favoreceu o equatoriano. Para o comentarista Rogério Amaral, os técnicos que passaram pelo Inter desde 2023, quando Valencia foi contratado, não souberam explorar o melhor das suas características.

“A culpa é muito menos dele do que do Inter. Foi uma injustiça grande, inclusive da torcida, que o marcou pela derrota para o Fluminense na Libertadores de 2023. Naquela ocasião, a responsabilidade foi muito mais do treinador da época, Eduardo Coudet”, observa Amaral. “As comissões técnicas que passaram não conseguiram fazer o time jogar em função dele”.

O contexto de pressão vivido pelo Inter nos últimos anos, resultado da falta de títulos, também atrapalhou. Mas é inegável que o próprio Valencia teve sua parcela de responsabilidade. Falhou em jogos decisivos, como contra o Fluminense em 2023, citado por Amaral, e em diversas ocasiões transmitiu uma postura apática em campo, o que irritava a torcida.

“Chamou a atenção, principalmente nesta temporada, a falta de vontade. Parecia que ele não estava nem aí para o Inter. Isso, sim, decepciona. E não dá para esquecer que o Inter foi o maior clube que o Valencia defendeu em sua carreira”, pondera Cristiano Silva. “Em partidas importantes, ele até foi decisivo em algumas, mas falhou em outras tantas. Enfrentou lesões e conviveu com a pressão de um time marcado por um longo jejum de títulos. Tudo isso pesou”, conclui Gutiéri Sanchez.

Valencia, enfim, não está mais no Inter. Na quinta-feira, o clube comunicou a rescisão antecipada do contrato, que valia até o meio do próximo ano. Horas depois, o Pachuca, do México, oficializou sua contratação. No Beira-Rio, os dirigentes comemoraram a economia de 2 milhões de euros que a saída do atacante proporcionará — mais um indício de que a aposta na sua contratação foi equivocada.

| Foto: ARTE: LEANDRO MACIEL

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