Câmera de segurança registrou entrega de arma em execução de Nego Jackson. Foto : Polícia Civil
Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, foi morto a tiros na Pecan 3.
Foi concluído, nesta segunda-feira, o inquérito da morte de Jackson Peixoto Rodrigues, o Nego Jackson, de 41 anos, alvejado dentro da Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), em 23 de novembro do ano passado. A execução ocorreu com uma pistola de uso restrito, calibre 9 milímetros, entregue via drone a outros dois apenados.
O uso do drone foi registrado por câmeras no entorno da Pecan 3, onde Jackson e seus algozes estavam recolhidos, na madrugada que antecedeu os fatos. As imagens mostram que o equipamento sobrevoa a lateral da unidade, às 3h06min.
De acordo com a Polícia Civil, a execução ocorreu na ala de triagem, enquanto agentes penais contavam os presos antes do jantar. Pelas 18h, os servidores estavam no segundo andar, vigiando a massa carcerária através de um piso gradeado, de cima para baixo. As portas eram abertas uma por vez, com os presos saindo de suas celas e, após conferência, recolhendo-se novamente.
Nego Jackson estava na cela de número 8, em frente ao recinto de número 7, onde ficavam dois presos de uma facção rival. Durante a conferência, um destes teria ido até a porta da cela de Jackson, supostamente para apaziguar divergências. Enquanto eles conversavam através da portinhola, outro apareceu de surpresa e inseriu o cano da arma na abertura, desferindo 12 tiros.
Nego Jackson chegou a receber atendimento médico, mas não resistiu. Apontado como mentor da execução, Rafael Telles da Silva, o “Sapo”, de 37 anos, foi transferido ao Sistema Penitenciário Federal. Já o atirador, Luis Felipe de Jesus Brum, de 22 anos, acabou sendo enviado à Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na Região Carbonífera.
Rivalidade entre facções
De acordo com a Delegacia de Homicídios de Canoas, que conduziu o inquérito, Nego Jackson foi vítima de emboscada, sendo a motivação o contexto das facções. Isso porque ele era apontado como chefe do tráfico na Vila Jardim, na zona Norte da Capital, além de também ser considerado liderança do grupo Família do Sul, unificando assim a coalisão Antibala, que soma gangues como V7, oriunda da Vila Cruzeiro, entre outras quadrilhas.
Já os seus rivais, conforme apuração policial, são da facção Bala na Cara, que tem base na Vila Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre. A Polícia Civil considera Sapo um dos líderes desse bando.
“Os dois ficaram em silêncio no interrogatório. Mesmo assim, sabemos que a motivação foi a rivalidade entre facções. O Sapo parecia ter uma inimizade muito forte com a vítima. E isso fica ainda mais evidente devido ao fato do Jackson estar na Pecan há apenas cinco dias, ou seja, foi um homicídio planejado com rapidez”, explicou a delegada titular da DHPP de Canoas, Graziela Zinelli.
Sapo e o comparsa foram indiciados junto a um morador de Santa Catarina, que é proprietário da arma. Esse sujeito responde em liberdade. Também foram investigados cinco servidores da Polícia Penal, que estavam afastados de suas funções, mas não houve elementos para o indiciamento deles, conforme a delegada Graziela Zinelli.
O delegado e diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), Mario Souza, destaca que todo o núcleo da facção Bala na Cara foi alvo do Protocolo Estadual das Sete Medidas Contra Homicídios. Como exemplo, ele cita a transferência de outros 11 presos para o módulo de isolamento da Pasc, em janeiro, durante a Operação Pecado Capital.
“Nossa prioridade foi atingir especificamente esse único grupo criminoso, porque seus integrantes promoveram mortes. E quem matar vai sofrer as medidas do nosso protocolo. Vamos impor prejuízo máximo e pressão operacional contra toda a hierarquia, da base ao topo da facção”, enfatizou o delegado Mario Souza.
Jackson alertou que seria morto
Em 22 de novembro, um dias antes de morrer, Nego Jackson escreveu uma carta sobre os riscos que corria na Pecan. O texto é endereçado ao então diretor da Pecan, com exposição detalhada de falhas da segurança na unidade. Ele ainda antecipou que haveria “uma tragédia como nunca ocorrera no sistema penitenciário gaúcho”, caso não fosse transferido.
Leia a carta de Nego Jackson
Sr.Dr. Diretor da Penitenciária Pecan 3
Assunto: Pedido de muda para outra ala de isolamento na Pecan ou cumprir isolamento na galeria 3D, que contém presos com mesma compatibilidade, onde não abriga presos incompatíveis com o requerente em questão.
Jackson Peixoto Rodrigues, atualmente custodiado na Penitenciária Pecan 3, área de isolamento, com determinação judicial, por 30 dias, vem respeitosamente, consubstanciado no art. 41. XIV, expor e requerer o seguinte:
O requerente informa que não tem compatibilidade de permanecer em galerias que contenham integrantes da facção Bala na Cara.
Sendo assim, solicita que seja dado uma atenção de extrema urgência porque, como é sabido de todos, o requerente é inimigo histórico desse grupo. E, pelo fato de permanecer tão próximo e temer haver alguma falha de segurança, pede que seja dado esta atenção.
Ademais, o requerente fora tirado da Pasc, Penitenciária de Alta Segurança que já possui bloqueadores de celular, onde não corria perigo algum para ser posto numa penitenciária de média segurança, em um isolamento que recentemente fora apreendido rádios e celulares.
Analisando esta questão e a vulnerabilidade que o requerente se encontra, há poucos metros de seus inimigos, concluo que, se teve falhas em entrar rádios e celulares, pode entrar todo o tipo de ilícitos, até mesmo armas.
A análise desse pedido se faz necessária com muita cautela. Uma porque: o isolamento possui presos inimigos no mesmo espaço físico. Duas: recentemente foram apreendidos rádios e telefones arremessados por drones na área de isolamento. Três: se entrou ilícitos aos olhos da segurança, é porque teve falhas. Quatro: o requerente só quer cumprir seu tempo de pena sem nenhuma alteração no percurso, porém não quer virar uma vítima do Estado, que está subestimando em colocar inimigos de grande rivalidade no mesmo espaço físico, separados apenas por uma portinhola.
Sr. Diretor, o requerente não está escolhendo local para o cumprimento de isolamento autorizado. Porém, está pedindo a atenção solicitando outro local de isolamento, devido à vulnerabilidade e facilidade de encostar drones nessas enormes janelas, com intuito de evitar uma tragédia como nunca ocorrera no sistema penitenciário gaúcho.
Diante todo o exposto, com respeito requer:
A) seja analisado o pedido deferido
B) seja enviado uma cópia deste requerimento a exímio Sr. Dr. Juiz de Direito Roberto Coutinho Borba, bem como seja prestado informação ao mesmo se fora apreendido rádios de longo alcance e telefones celular na área de isolamento por membros dos Balas na Cara.
C) seja enviado uma cópia deste requerimento ao e-mail do advogado cadastrado, Sr. Cassyus Pontes, para que tome providências necessárias.
D) seja enviado uma cópia deste requerimento à Defensoria Pública.
E) seja colada uma cópia deste requerimento junto ao Pec do requerente com a finalidade de ocorrer alguma alteração grande, as autoridades foram alertadas.
Termos em que pede deferimento,
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História de Marcel Horowitz – – Divulgação: scctv.net.br/Rádio Giramundoweb/@Giramundoweb/@SCCTV3/(10) Pinterest





