Um país impulsionado por novas descobertas e projetos de exploração petrolífera deve crescer uma média de 24% em 2026, segundo relatório da Cepal
Um país sul-americano com menos de um milhão de habitantes tem visto sua indústria de hidrocarbonetos atingir patamar mundial diante do cenário de inflação nos preços do petróleo causado pela guerra empreendida pelos EUA contra o Irã.
A Guiana, que iniciou sua produção offshore de petróleo em 2019, após as descobertas no bloco Stabroek lideradas pela ExxonMobil (com cerca de 32,6 bilhões de barris de petróleo estimados e mais de 11 bilhões de barris recuperáveis), já ultrapassa 600 mil barris de petróleo por dia e pode somar mais de um milhão até o fim da década, segundo projeções da consultoria Rystad Energy.
O país avistou um recorde de lucros no setor petrolífero no primeiro trimestre de 2026, com receitas de US$ 761 milhões.
América Latina e o Caribe devem continuar presos a uma trajetória de crescimento moderado nos próximos anos, e um único país deve concentrar crescimento fora do padrão regional: a Guiana.

O petróleo bruto lidera a porção do mercado, com US$ 20,4 bilhões. Os maiores parceiros comerciais são países europeus que buscam realocação das demandas outrora destinadas aos mercados russo e árabe.
Cerca de 30% de todas as exportações vão em direção aos Países Baixos e ao Panamá, um hub logístico para redirecionamento à Ásia e à Costa Oeste dos EUA. Com os Países Baixos, o mercado atinge cerca de US$ 2,78 bilhões.
O crescimento ocorre em um contexto favorável para fontes alternativas ao eixo árabe e à OPEP, com o preço médio dos barris de petróleo cru atingindo máximas históricas e um acumulado de mais de 20% de aumento no ano.
Stabroek, considerado uma das maiores descobertas do século, fica a cerca de 200 km da costa da Guiana e é explorado por um consórcio formado entre a norte-americana ExxonMobil, a também norte-americana Hess Corporation e a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), a maior produtora estatal de hidrocarbonetos da China.
Apesar do boom petrolífero do pequeno país, hoje visto como potência no setor, a participação direta do governo nas receitas ainda é limitada. Atualmente, a operação das principais descobertas (cerca de 35) garante ao Estado da Guiana 14,5% da receita por barril, e o restante é distribuído entre as empresas responsáveis pelo consórcio.
A participação é uma das mais baixas do mundo, justificada pelo “risco exploratório” das operações, que é integralmente assumido pelas operadoras.
Países com alta captura estatal, por outro lado, podem cobrar até 80% dos lucros com o barril de petróleo, unindo as participações diretas do governo nos empreendimentos ao somatório de tarifas sobre a exportação do insumo.
Na Arábia Saudita, por exemplo, a parcela dominada pela Saudi Aramco, a desenvolvedora estatal, é de mais de 80%. O mesmo ocorre com os Emirados Árabes Unidos, cujas parcelas podem variar entre 60% e 90% em arrecadação.
No pré-sal brasileiro, a soma dos royalties do petróleo pagos à União, das participações especiais nas produções e dos regimes de partilha com a Petrobras pode fazer a captura chegar a 70%.
Na Guiana, no entanto, a baixa parcela estatal tende a aumentar conforme os custos de investimento forem amortizados, o que pode ocorrer já em 2026.
Se as reservas vingarem em produção projetada (e tudo indica que isso vai ocorrer), a participação estatal pode ultrapassar 50% das receitas e ampliar de forma significativa o orçamento do país.
Para isso, foi criado o Fundo Soberano da Guiana (Natural Resource Fund), que deve administrar a riqueza gerada com a exploração e evitar potenciais desequilíbrios econômicos.
O modelo adotado na Guiana é de produção offshore com armazenamento e transferência (FPSOs) de petróleo em águas profundas. Atualmente, existem pelo menos 4 FPSOs ativos, um em fase de entrada e dois já em construção.
Desde 2019, quando as descobertas começaram a ser exploradas, o PIB da Guiana já passou por aumentos dramáticos de 37% ao ano (entre 2022 e 2023). A economia guianense quase quadruplicou em cinco anos.
Com os ganhos, todos os cidadãos recém-nascidos do país passaram a receber 100 mil dólares da Guiana, o equivalente a cerca de R$ 2.590 na cotação atual. A política foi implementada sob o governo de Irfaan Ali, do Partido Cívico Popular Progressista.
O setor de hidrocarbonetos já representa cerca de 75% do PIB e aproximadamente metade das receitas governamentais do país, que emprega medidas de distribuição como subsídios a combustíveis, controle de preços e investimento em infraestrutura.
Grande parte da receita está indo para a construção de estradas, pontes, escolas, hospitais e moradias populares, e um dos projetos do país, o Gas-to-Energy, quer reduzir o custo da energia elétrica para a população em geral com o financiamento de plantas de gás natural em terra firme.
Em 2026, acredita-se que a receita do petróleo possa financiar até 32% do orçamento nacional, com um valor correspondente a cerca de US$ 2,79 bilhões.
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História de Anne Evelin – Divulgação: scctv.net.br/RádioGiramundoweb/@Giramundoweb/@SCCTV3/(10) Pinterest





