Os clubes das Séries A e B aprovaram, nesta segunda-feira, uma proposta da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para reduzir o número de estrangeiros no futebol nacional. A partir de 2027, cada time poderá relacionar até oito jogadores nascidos fora do país, com diminuição ano a ano.
O objetivo da mudança é estimular o uso de atletas da base, que têm perdido espaço para os “gringos”, segundo levantamento feito pela entidade e apresentado às equipes. Atualmente, cada clube pode levar até nove jogadores do exterior para as partidas, e a ideia é que a redução seja feita gradativamente, até chegar em 2030 com no máximo cinco estrangeiros nas súmulas.
- 2026: 9
- 2027: 8
- 2028: 7
- 2029: 6
- 2030: 5
A regra, vale destacar, tem passado por aumentos desde 2013. Naquele ano, o número saltou de três para cinco gringos. Em 2021, o regulamento permitiu até sete. A atual quantidade, de nove atletas, está em vigor desde 2022. Segundo a CBF, em um universo de 219 partidas analisadas, são relacionados 5,4 estrangeiros por jogo.
Além disso, a CBF observou a média de idade dos jogadores do Brasileirão, de 28,5 anos, acima de outras ligas de destaque, casos de Espanha (27), França (26) e Itália (26,1). De acordo com a confederação, a diferença leva a uma queda de desempenho dos atletas no país.
O Corinthians possui seis jogadores estrangeiros no atual elenco: os laterais Pedro Milans (Uruguai) e Fabrizio Angileri (Argentina); os meio-campistas André Carrillo (Peru), Jesse Lingard (Inglaterra) e Zakaria Labyad (Marrocos); e o atacante Memphis Depay (Holanda). O único que não tem sido relacionado é o marroquino, que se recupera de ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e uma lesão do menisco do joelho esquerdo.
Os clubes e a CBF também vão mudar o sistema de inscrição dos jogadores para a próxima temporada. As agremiações ainda poderão inscrever 50 nomes no Brasileirão, mas agora divididos entre Lista A (jogadores acima de 23 anos) e Lista B (até Sub-23). Em 2027, a separação será de 30/20, chegando à fração igualitária em 2030.
“A questão tem também impacto econômico. Entre 2016 e 2025, atletas de até 20 anos responderam por 50,1% das receitas brasileiras com transferências para o exterior consideradas no período, muito acima das receitas dos pares europeus na mesma faixa etária. A redução de oportunidades para esses jogadores impacta também em relação à capacidade dos clubes de formar, desenvolver e negociar novos talentos”, explicou a CBF em nota oficial.
A proposta apresentada pela CBF teve origem a partir de um manifesto do Movimento dos Clubes Formadores (MCF) durante reuniões do Grupo de Trabalho da Base Brasileira, e foi aprovada pelos clubes e federações com apenas dois votos contrários.
Horários também sofrem alteração
A grade de programação do campeonato nacional também passou por mudanças. Aprovada por unanimidade, a proposta elimina algumas janelas de transmissão, casos das 19h durante as semanas e as partidas aos domingos à noite (no máximo até 19h30).
A Série A vai concentrar a maior parte dos seus jogos aos domingos, com 16h como horário-âncora. Ao longo da semana, a quarta-feira contará com seis embates, agora chamada de “Super Quarta”.
“A nova proposta, aprovada sem votos contrários, foi construída a partir de estudos de público, da consulta a clubes e federações e da comparação com as principais ligas europeias, buscando reduzir a fragmentação da grade e criar horários fixos, de forma a dar identidades próprias às duas divisões”, explicou a CBF.
Os horários, vale destacar, ainda serão analisados pelas detentoras dos direitos de transmissão, pois já possuem um contrato em vigor pela exibição do Brasileirão até 2029.
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