A Medida Provisória (MP) publicada pelo Governo Federal na última sexta-feira, 25, mudou o cenário dos patrocínios no futebol brasileiro. A determinação proibiu as atividades das casas de apostas no País, afetando diretamente os clubes que possuem acordos com empresas do ramo. As equipes têm até 5 de outubro para retirar as marcas de suas propriedades.
A decisão atinge uma parcela significativa do futebol nacional. Na Série A do Campeonato Brasileiro, 14 dos 20 clubes têm empresas do segmento como patrocinadores máster. Apesar do prazo para adequação ainda não ter encerrado, alguns clubes já começaram a se adaptar à nova realidade.
O Flamengo começou a retirar a marca da Betano de materiais divulgados nas redes sociais. Nas publicações mais recentes, a parte frontal da camisa aparece sem o logotipo da casa de apostas. Entretanto, o clube ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar a MP. A diretoria argumenta que a medida terá impacto financeiro significativo.

A intenção do Flamengo é ingressar na ação como “amicus curiae”. A função permite que representantes flamenguistas forneçam informações para a análise do caso e participem de eventuais audiências. É o mesmo movimento que o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) fez também nesta terça-feira. Não é descartada uma ação conjunta de outros clubes.

O argumento do clube é de que o fim dos patrocínios de loterias de aposta de quota fixa provocaria a perda direta do contrato máster. É estimada uma perda orçamentária entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões para o exercício de 2027, projetando um impacto global de R$ 2,5 bilhões para todo o futebol brasileiro. Os números já haviam sido tornados públicos em falas do presidente Luiz Eduardo Baptista.
O Botafogo também passou a divulgar imagens de seus jogadores sem a VBET. Em uma publicação relacionada ao treinamento do elenco, os atletas aparecem com o uniforme sem a exposição da marca. A mudança passou a fazer parte do material divulgado no dia a dia do clube.
O Grêmio é um caso diferente dos demais. O clube anunciou acordo de patrocínio máster com a Pitaco, empresa do segmento de apostas, apenas dois dias antes da publicação da MP. A equipe informou que aguarda os desdobramentos do tema antes de definir os próximos passos. Por ora, o logotipo do empreendimento não vem sendo exibido nos materiais divulgados pelo clube.
Por fim, o Santos se pronunciou em relação à determinação e suspendeu a exposição da Novibet, após a publicação da Medida Provisória. Apesar da interrupção, o contrato entre o time alvinegro e a empresa continua vigente. A decisão, portanto, não representa o encerramento definitivo da parceria, mas interrompe a exposição da marca enquanto a proibição estiver em vigor.
Com isso, o Santos não terá a Novibet na camisa no clássico contra o São Paulo, marcado para esta sexta-feira, 2, pelo Campeonato Brasileiro. A retirada, porém, ainda está em processo. Nos treinamentos realizados nesta semana, os jogadores ainda apareceram utilizando uniformes com o logotipo.
A MP estabelece que materiais publicitários e sinais de patrocínio das empresas de apostas devem ser retirados até 5 de outubro, às 23h59. A partir de 6 de outubro, as plataformas de apostas deverão ser bloqueadas no país.
Participação das bets nas arrecadações dos clubes
Considerando Série A de 2025 (em milhões)

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