A pirataria de sementes e mudas é um dos maiores desafios para o agronegócio brasileiro, afetando hortaliças, flores e ornamentais.
Segundo a ABCSEM – Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas, 50% das mudas de morango comercializadas são piratas, seguidas por batata, couve, feijão-vagem, flores e tomate tipo grape (30%).
Os impactos vão da queda de produtividade à disseminação de doenças, além de prejuízos fiscais e concorrência desleal. Para enfrentar o problema, o setor lançou a Campanha Nacional de Combate à Pirataria, com selo oficial de empresas comprometidas e, em 2026, o Canal de Denúncias anônimo. As irregularidades podem ser relatadas pelo telefone da Ouvidoria do MAPA: 0800 704 1995. “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor”, reforça o slogan da iniciativa, que será destaque na Hortitec 2026, em Holambra (SP). (Gisele Flores)

Foto: Marcelo Foletto
Um gravíssimo problema tem atingido o setor de hortaliças, flores e ornamentais do Brasil. Trata-se da pirataria de sementes e mudas, que tem tido um crescimento indiscriminado no setor, nos últimos anos.
Os impactos da pirataria atingem a sociedade como um todo, comprometendo os investimentos em pesquisas e desenvolvimento de novas variedades, além de favorecerem a sonegação de impostos, concorrência desleal, bem como potenciais riscos à segurança e à qualidade dos alimentos consumidos.
Contudo, o produtor é, certamente, o elo mais afetado por essa prática ilegal, sendo impactado diretamente por diversos prejuízos na produção, tais como: segregação (desuniformidade das plantas e dos frutos), queda de produtividade, transmissão e disseminação de doenças na lavoura, falta de padrão e baixa qualidade dos frutos, além de menor margem na comercialização.
Além disso, há ainda implicações legais e jurídicas desta prática irregular, conforme estabelecido no Capítulo XII do Decreto nº 10.586/2020 e medidas cautelares e penalidades previstas no Capítulo XIII.
PRINCIPAIS CULTURAS AFETADAS
Conheça, abaixo, as principais culturas onde a pirataria é mais disseminada, segundo levantamento apresentado pela ABCSEM:
- Mudas de Morango: 50%
- Batata, Couve de Folha, Feijão-vagem, Mudas de Flores e Tomate tipo Grape: 30%
- Quiabo: 25%
- Coentro e Melancia híbrida: 15%
- Melão híbrido: 10%
- Pimentão híbrido: 5%
INICIATIVA CONGREGA O SETOR EM PROL DESTA CAUSA
Liderado pela Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), o setor sementeiro de hortaliças, flores e plantas ornamentais brasileiro se reuniu para promover a Campanha Nacional de Combate à Pirataria de Sementes e Mudas.
Com o slogan “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor”, a iniciativa tem como foco a conscientização da sociedade em geral, mas sobretudo dos produtores, quanto aos riscos e prejuízos desta prática ilegal. Para isso, desde 2025, a campanha conta com um selo oficial, que visa validar as empresas e os produtos comprometidos com a comercialização legal e ética destes insumos agrícolas no país. Agora, em 2026, a iniciativa avança com o lançamento do Canal de Denúncias, criado para permitir que irregularidades relacionadas à produção, venda e compra de materiais piratas sejam relatadas de forma rápida, segura e totalmente anônima.
Vale destacar que a novidade será anunciada durante a Hortitec 2026 – o maior evento de horticultura, cultivo protegido e culturas intensivas do país –, que acontecerá de 17 a 19 de junho, no Parque da Expoflora, em Holambra (SP).
“Estamos muito confiantes com o alcance da campanha, pois, até então, o setor desenvolvia apenas algumas ações isoladas, o que sempre dificultou o combate massivo do problema. Mas, a partir desta articulação conjunta, que envolve e atinge a cadeia como um todo, o combate à pirataria de sementes e mudas será muito mais assertivo e efetivo”, acredita Mariana Barreto, Secretária Executiva da ABCSEM.
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